Foge comigo dizes ...
Hoje não posso, tenho que terminar esta questão.
Sempre tu com essas propostas desonestas.
Queria eu ver se dissesse que sim.
Depois pelo mundo, a roubar fruta pelas veredas de uma vida não programada.
A viver das laranjas e das romãs com que o caminho nos iria presenteando.
A dormir na praia e a beber a água das folhas.
Foge comigo dizes ...
Hoje não posso, tenho ainda um assunto para resolver.
Como se a vida pudesse ser só isso.
Um repente de lucidez que se nos atravessa o rumo e nos brinda o cristalino com o mundo ao virar da esquina.
A insensatez de um impulso que fica sempre sem o ser.
A vida vivida no pleno do que é, não na dúvida do que podia ser.
Ao som da chuva miúda numa noite de Verão sob as estrelas e eu e tu onde agora achas suposto.
Foge comigo dizes ...
Fujo... amanhã.
