Gostava das mãos dele.
As mãos dele onde cabiam as dela fechadas.
Escondida na palma das suas mãos onde ela cabia inteira.
As mãos dele a agarrar-lhe suavemente a nuca.
Os cabelos a escorregar sem pressa por entre os dedos das suas mãos.
A cara dela entre as suas mãos suaves.
As suas mãos sempre quentes a deslizar-lhe pelas costas.
A tamborilar-lhe nas costas qualquer uma das melodias perenes que trazia na cabeça.
A desenhar-lhe nas costas nuas as formas de palavras que lhe pedia para adivinhar.
E sempre, de todas as vezes, se lhe arrepiava levemente a pele na antecipação do toque das suas mãos.
As mãos dele que lhe seguravam todas as portas que tiveram de atravessar.
As mãos dele sempre estendidas quando ela chegava.
O princípio acontecera inteiro pelas mãos dele.
O fim fora todo pelas dela...