Depois uma noite, não conseguindo esperar mais, saiu de casa como um louco.
Chovia muito e não havia forma de fazer parar um táxi.
Corria por entre poças de água suja mas sentia as gotas lavarem-lhe os afectos.
Fixara os olhos na luz ao fundo que achava ser a casa dela e desviava-se com brusquidão dos guarda-chuvas em sentido contrário.
Estava molhado até à alma quando chegou à sua porta.
Quando ela abriu a porta e o olhou com náusea alcançou que nada mais havia a fazer.
Deixou-se então por fim diluir no pranto dos céus e estava já morto há três dias quando o acharam.
Na verdade sabia-se extinto desde que a conhecera, fazia mais de um ano.
Só não tivera até então a mundícia de o reconhecer.