E ainda assim continuava ali, à espera.
Sem saber das coisas, sem ter certeza alguma, só das dúvidas que me trazias de cada vez que te via.
Do que era certo, do que era impossivel, do que eu queria, do que tu não querias.
E tu cada dia mais distante, isto como se alguma vez tivesses estado cerca.
Eu presa a tudo o que devia ser, tudo que devia sentir.
Tu que nunca me tocavas casualmente, nunca sem propósito, e eu, cheia das más intenções que nunca revelava a ninguém, as provas que incinerava furtivamente, o pânico de que o que tinha dentro fosse uma luz aos olhos dos outros, os que me descobririam e me condenariam ao saber.
E tu ignorante de tudo, de mim principalmente.
Eu a tentar ignorar-me por tudo, por ti principamente.
E depois, ainda assim, eu ali à espera.
Como num concurso. Como se não quissesse perder por nada, a não saber como enfrentar a derrota num jogo no qual não estivera sequer inscrita.
E tentava por tudo ir convencendo-me que não era bem isto que tu havias de querer, não era nada do que eu era que tu desejavas.
Eu que nem bem te conhecia sequer.
Eu já sem tempo para te conhecer até.
Mas que se me aparecesses destruirias tudo.
Eu que, a um mero capricho teu, me saberia perdida, derrotada neste meu mundo de areias inconstantes.
E a esperança que eu tinha nessa perdição.
E o terror que me inspirava essa esperança de destruição por ti.
E, ainda assim eu, ali, à espera...