Desenha-me a vida.
Pinta com cores de faz-de-conta o passado que ficou por
suceder.Traçando a linhas reticentes esta vida que não é, preenche com padrões
e texturas a irrealidade do que quase fui.
A feltro fluorescente pontilha o caminho até ti para que eu
me escape destas formas sem figura.
Em alto-relevo sinto já o que está para ser e, na bonança
que a ausência de cores permitiu, prevejo assim a paleta de emoções que por ti
virá.Por isso desenha-me a vida.
Para que o escuro que em mim há se acostume depressa à luz
do arco-íris que soías trazer dentro.