Se calho de me lembrar da tua respiração pela manhã está tudo perdido.
Ando o resto do dia num reboliço, não há forma de me sossegar.
Uma lembrança puxa por outra e não tarda que te sinta o gosto.
A memória tem destas coisas e se souberes ai de alguma droga é informar que estou aberta a experimentação.
Seguem-se os conselhos alheios e tentam-se mezinhas estranhas.
Mas não arranjo forma de iludir o espírito, de que se me arrefeça o corpo e é um ver se te avias para me concentrar em algo que não tu.
E eu esforço-me, afianço-te que me esforço.
Mas tu chegas-me assim sem pedir licença, sem aviso e sem controlo, sem sequer ser vontade tua.
O calor da tua pele acelera-me os sentidos.
O ar que exalas destrói-me a calma.
A ínfima memória de ti reduz-me a um estado de humidade permanente.
E eu esforço-me, afianço-te que me esforço.
Mas sou fraca e esse teu sorriso espolia-me da pouca seriedade que me resta.
Encontro o teu cheiro por todo lado e não há onde me esconda que ele não me ache.
Essa tua voz que me pede...
E essas tuas mãos por mim...
Arrepia-se-me a pele pela antecipação do teu toque.
A tua boca que me arruína os planos de contenção.
No fundo nem tenho culpa. Eu não decidi isto.
Não te sabia assim tão entranhável, tão inextinguível .
Nem queria que te pegasses a mim deste jeito irremediável.
E agora, que queres que faça?!
Nada, pois que não há coisa alguma a fazer.
É aguentar, resistir, reduzir-me, esperar que isto me passe, à força de muita água, poucas palavras e muita inacção.
É matar borboletas com balas de canhão.
E eu esforço-me meu querido, afianço-te que me esforço...