Queremos tantas coisas.
Queremos muitas coisas ao mesmo tempo.
Muitas coisas em tempos que não são os nossos.
Coisas para as quais não há sequer tempo.
Porque aqui o tempo seca depressa de mais a água que vamos misturando com os pigmentos dos dias que se passam devagar.
Queremos sossego.
Queremos que a luz deixe de nos turbar a vista.
Queremos que a água que vamos acrescentando à vida dilua os resquícios das cores que nos magoam o cristalino.
Quermos coisas demais.
Queremos tudo.
Queremos a perfeição das pessoas que vamos encontrando.
Como se de uma tela se tratasse.
Como se a vida pudesse ser isso, o instante no qual, à força de tanto querer, conseguimos reter o pigmento que a água teima em fazer escorrer das nossas mãos.
E na realidade sabemos que não há nada a fazer.
Que nunca houve.
Que a água é mais forte que tudo. Que a água levará sempre o seu desígnio.
Que as cores nunca são, de facto, nossas.
Pedimos emprestadas, usamos, a seco, em bruto, liquefeitas consoante a precisão.
Mas na verdade, e por força de tanta diluição, as cores vão-se transmutando, nunca o mesmo tom, nunca a mesma consistência, sempre arredias, nunca nossas, nunca de ninguém, sempre da água...
Queremos tantas coisas.
Queremos sempre as coisas para as quais não há mais tempo.
Queremos sempre as coisas para as quais o nosso tempo nunca foi...
Queremos muitas coisas ao mesmo tempo.
Muitas coisas em tempos que não são os nossos.
Coisas para as quais não há sequer tempo.
Porque aqui o tempo seca depressa de mais a água que vamos misturando com os pigmentos dos dias que se passam devagar.
Queremos sossego.
Queremos que a luz deixe de nos turbar a vista.
Queremos que a água que vamos acrescentando à vida dilua os resquícios das cores que nos magoam o cristalino.
Quermos coisas demais.
Queremos tudo.
Queremos a perfeição das pessoas que vamos encontrando.
Como se de uma tela se tratasse.
Como se a vida pudesse ser isso, o instante no qual, à força de tanto querer, conseguimos reter o pigmento que a água teima em fazer escorrer das nossas mãos.
E na realidade sabemos que não há nada a fazer.
Que nunca houve.
Que a água é mais forte que tudo. Que a água levará sempre o seu desígnio.
Que as cores nunca são, de facto, nossas.
Pedimos emprestadas, usamos, a seco, em bruto, liquefeitas consoante a precisão.
Mas na verdade, e por força de tanta diluição, as cores vão-se transmutando, nunca o mesmo tom, nunca a mesma consistência, sempre arredias, nunca nossas, nunca de ninguém, sempre da água...
Queremos tantas coisas.
Queremos sempre as coisas para as quais não há mais tempo.
Queremos sempre as coisas para as quais o nosso tempo nunca foi...
