Sunday, April 3

a um quase tu desconhecido

Enquanto circulo do sitio de onde venho para o sitio para onde vou, penso em ti.
Tu com esses teus olhos quase de água.
Esse teu gesto quase envergonhado, esse teu jeito quase tímido.
Penso na tua boca numa provocação quase temerária, nas tuas mãos numa diligência feroz.
Quase te disse que não queria ali estar, quase me disseste que não podias ali continuar.
Quis que me tivesses provado, não fossem as hecatombes que daí adviriam.
Vislumbrava já no crepúsculo tempestades de gafanhotos e anjos negros portadores de fatídicas novas.
Valerá o teu sabor o bosquejo de um beijo?
Valerá o teu tacto o esquisso de um toque?
Pensava em tudo isto enquanto via o tempo passar entre o sítio onde ainda agora estivera o sítio onde daqui a pouco chegaria.
Que soem as trompetas do apocalipse e que os mensageiros do imperecível tragam as novas que se lhes aprouverem.
Quero-te e isso é insofismável.