Sunday, April 3

Dos dias que se passam, de uma espera assim tão curta...

Escrever para fazer passar os dias.
As noites que se arrastam quando aqui não estás.
Viver as horas à espera de te encontrar em todo lado.
After that wall, passing that street, through that door, at the top of those stairs, inside that room, laying on the bed, nestled inside...
Mas nunca te encontro, nunca estás.
Escrever para fazer passar os dias.
As noites que se demoram numa agonia estática quando aqui não estás.
E depois o dia uma paragem do autocarro, a pensar que se aquele carro abrandar, se aquele cão atravessar a estrada agora, se aquele menino agarrar a mão da mãe na passadeira, se estas folhas cairem assim contra o sol, se o semáforo passar a verde, se aquele pássaro levantar voo, se aquele senhor começar a ler o jornal a partir do fim, se aquela flor não perder a pétalas, se aquele avião deixar um risco branco no céu, se aquela nuvem não se desfizer em gotas, se o sol brilhar por trás daquele prédio, se aquela velhota tiver coragem para abrir a janela, se o próximo carro que passar for azul, se a matricula começar por L(eta), se a próxima música for a que adoro...
Então de certeza que as horas seriam a areia do tempo que se nos escorre das mãos e faltariam minutos para aqui estares, segundos para que after that wall, passing this street, through this door, at the top of these stairs, inside this room, laying on my bed, you would be at last nestled inside of me.
Afinal, agora já no sossego, não foi assim tão longa a espera para por fim nos encontrarmos, pois não?