Andamos em voltas opostas na mesma esfera.
À procura de coisas que não vemos senão na realidade dos outros.
As pessoas vão passando pela nossa vida e só no fim é que descobrimos a fugacidade com que a vida passou por nós.
Esperei-te tanto tempo na minha cabeça enquanto deambulamos por repositórios públicos de prazeres imediatos, rodeados de luzes surdas descoladas de algum filme de Hayao, mexendo-se a um ritmo infinitamente mais rápido que nós, etéreos, a deslizar por entre o nosso universo de curiosidades.
Enquanto me tocavas o cabelo com os olhos quis provar-te a boca com os dedos...
Tocava-te o pescoço com a mão com a mesma avidez com que me tocavas com os olhos.
Pareceria-me insuficiente se aquele momento não durasse todo o tempo que precisassemos para nos descobrir.
Faz agora uma eternidade que nos deixamos e ainda me lembro de ti.
Dos meus olhos na tua boca, da tua boca no meu pescoço...
Distraio-me com o torpor dos dias e o remoinho de pessoas.
Adormeço ao som da tua voz no meu ouvido e acordo com a tua ausência na minha cabeça.
A poeira das manhãs sem sol já não é bastante para me ofuscar a vista e é obrigatório lembrar-me dos outros para me tentar esquecer de ti.
Faz agora uma eternidade que nos deixamos e ainda não me esqueci do sabor que não tivemos tempo de descobrir...