Sunday, April 3

the mothman profecy

Queria levá-la para longe de tudo.
Salvá-la de tudo que lhe fazia mal.
A ela, e por arrasto a ele.
Era assim desde que a conhecia, era assim desde sempre.
Era o amigo que lhe oferecia o ombro, que lhe limpava as lágrimas, que lhe segurava a raiva.
Sempre lhe conseguira apagar as lágrimas, secar a dor.
E a dor que a destroçava vinha a matá-lo aos poucos.
Todos os homens da vida dela o iam matando um bocadinho cada dia.
Era assim desde sempre, era assim desde que a conhecia.
Ela havia de recuperar, com a ajuda dele recuperava sempre.
Mas para ele, para ele já não havia panaceia que servisse.
Desta vez os danos eram demasiados, as queimaduras de 1º grau estendiam-se até à alma.
Tinha o coração estropiado,o figado desfeito, a indiferença consumia-lhe as estranhas numa metástase fulminante.
Não lhe sobravam forças para nada, só sorria, só respirava só vivia quando ela vinha.
Se ao menos pudesse levá-la para longe de tudo.
Talvez os silêncios de um sitio novo a deixasse vê-lo.
Quem sabe o gosto de uma terra desconhecida lhe trouxesse a curiosidade de descobrir o cheiro dele.
Mas isso era enganar-se, era devanear...
A dor dela não duraria tempo suficiente para que ela o descobrisse.
A dor dela era terrivel na intensidade mas fugaz na duração.
A dor dela que passava e o deixava a ele sempre dormente.
A dor dela que se desvaneceria antes mesmo que ela o visse sequer, do outro lado da sala, moribundo, terminal...