Sunday, April 3

a eternidade dEpOiS...

O dia depois é sempre pleno de tudo.
Fica-se com o gosto nas mãos e com os cheiros na boca.
Cada poro liberta ainda o calor das peles misturadas.
Sabes-me a sal na lembrança, cheiras-me a mar no cabelo.
Tenho grãos de areia invisivel entre os dedos, encontro-te resquícios de pele por mim toda.
Ficaste-me dentro...
Lembra-me ainda a pressa, a vontade enfim desamordaçada, o fervor das mãos, o silêncio das palavras a contrariar o estrondo dos corpos em ebulição.
Lembra-me ainda o estremecer do teu corpo contra o frio do metal, o meu sobressalto às tuas mãos quentes nas minhas costas.
Lembra-me ainda o metal do teu cinto a constranger-nos os desígnios.
Sinto ainda a premência de nos termos e a expectante certeza dos actos consequentes.
A noite depois é sempre despida de nada.
Tens-me dentro...
Queima-te a memória do toque da minha pele, sentes-me a humidade da língua no teu peito.
Queres-me de novo na impaciência da vontade. Desnudas-me insistentes vezes de formas sempre distintas.
Seguras-me na lembrança com a subtileza que a nossa sofreguidão consente.
Sentes-me o perfume na boca e tens-me a luz da pele nos dedos.
Visualizas-me os recantos e mentalmente deslizas as mãos por mim.
Percorres-me o corpo em memória antecipando a renovação das impressões.
Pretendes-me ainda na plenitude de uma vontade que se revitaliza.
Vês-me adormecida na alvura dos lençois que não serviram para nos resguardar de nós.
A eternidade depois ficou completa de nós...