És como um devaneio que me derrota de todas as vezes.
A minha força rendida a uma vontade à qual voluntariamente me submeto.
Se te pensasse bem, concluiria que não és assim tão poderoso.
E no entanto subjugas-me com o teu olhar, incineras-me com a tua vontade.
Feneço pelo toque das tuas mãos.
A minha pele por onde desliza a tua intenção.
O teu cheiro que me aprisiona os desígnios, me transtorna as noites e me esvazia os dias.
Se te pensasse bem saber-te-ia as falhas, as imperfeições.
Mas persisto neste arroubo, nesta contingência sobre a tua carência de mim.
A tua boca na mais tentadora das subversões.
Por ti travessias de desertos de sal, por ti extinção da espécie, a minha...
As tuas mãos por mim com água num dédalo inflamado.
Uma precisão de ser con(tida) por ti.
Evito-te nas horas de maior inclemência.
Refugio-me à tua frente, onde não me vês, na esperança que não me encontre a tua omnisciência.
Na certeza de que é tudo improfícuo.
Saber-te senhor de designíos incautos cujo desenrolar aguardo irascível.
Se te pensasse bem saber-te-ia descobrir os medos, conhecer as dúvidas.
Mas a tua boca por mim, o teu desejo na minha pele, o teu gosto na minha língua, entorpecem-me os sentidos, anestesiam-me o raciocínio.
Neste desvario nem sei de mim, da minha razão, só (n)este delírio.
As tuas palavras nos meus olhos, a tua voz na minha mente.
Mas se te pensasse bem... se porventura te conseguisse saber...