Mudei de cenário, mudei de roupa, mudei de pele e ainda assim não me saías de dentro.
Do corpo, das mãos que teimavam em não estar quietas, da cabeça que não conseguia distrair de ti.
Não me conseguia concentrar, não me conseguia focar em nada e era mandatório fazer um esforço para pensar no que não podia esquecer e não me lembrar do que não me saía da cabeça.
Tinha-te o toque na pele, se fechasse os olhos conseguiria ver-te...
Distraia-me com o que aparecia, fazia um esforço para não te pensar e nada...
Entraste em mim com a delicadeza de quem não precisa de licença e agora já não te consigo expulsar, já não te quero expulsar.
Quanto tempo até te esquecer o gosto?
Quanto tempo até te perder os olhos?
Quanto tempo até te deixar de sentir o cheiro?
Quanto tempo até não me estremeceres ao toque?
Mudei de cenário, mudei de roupa, mudei de pele e ainda assim não me saías de dentro.
O principio e o fim estão-se sempre a confundir e algo que não chegou a começar não terá fim marcado.
Queria-te sentir o gosto!
Queria-te desvendar os olhos!
Queria-te reter o cheiro!
Queria-te para que me descobrisses ao toque!
Mudei de cenário, mudei de roupa, mudei de pele e ainda assim não me saíste de dentro...