Sunday, April 3

O policia, o varão de autocarro e a rapariga da boina cor de rosa

Como tantas vezes, regressava a casa no 42.
Reparava nas pessoas. Discretamente, para não constranger. Aos outros, a mim.
Sentada do outro lado do corredor uma rapariga, bonita, de boina cor de rosa.
Paragem brusca. Entram 2 policias, um novito, um sénior.
Não se sentam, o menos velho fica agarrado ao varão do autocarro.
E aí brilham os olhos da rapariga da boina cor de rosa.
Eu olhava para ela e ela olhava o policia novo. Quase que se vislumbrava o que lhe ia na mente, os olhos dela fincados no policia novo agarrado ao varão.
Desciam a Maria Pia e as luzes de Natal esbarravam no interior do autocarro e nos olhos escuros da rapariga.
Nunca tinha visto ninguém tão triste com uns olhos tão iluminados.
Nova paragem.
Vou acreditar sempre que, se não tem saido ali, a teríamos visto chorar antes de eu sair, como sempre, na minha rua.