Meu Querido,
Tenho-Te dito tanta coisa e ainda assim parece que me falta tanto.
E por mais que Te diga parece que nunca me consigo fazer entender, em vocábulos que se me enredam na boca como os caramelos que me dava a minha avó e que depois da sua morte não mais vi em lado nenhum.
Tentar explicar os sentimentos tem destas coisas... vou falando, falando e parece que cada vez digo menos.
E Tu continuas sem me entender... continuamos sem nos entender...
De repente tudo se desmoronou e agora não há mais nada a fazer.
Explicar porque não Te quero ao meu lado, porque não Te quero nem por perto...
Porque não Te quero ver... Porque não Te quero cheirar...
Todo o barulho em que as minhas palavras se transformaram só serve agora para nos assustar.
Enterras as palavras na almofada pequena para que não Te firam mais.
Que não Te doa toda esta verdade... foste só mais um que passou, só mais um que me veio roubar de mim.
Tu não és o primeiro, existiram outros, não serás o último... teimavam em me convencer do que não queria ser convencida. E com a doçura de tanta persistência deixava-me ir ao sabor dos beijos que me entorpeciam a boca e me drogavam os sentidos.
Era só um tempo em que não estava cá... que não era eu... depois voltava... de cada vez mais lentamente, com mais dor, da pior maneira, mas voltava sempre.
Tu não és o primeiro, nem serás certamente o último que desperta em mim esta loucura da qual só eu sou verdadeirmente culpada...
Castigo-Te pelo meu crime... minto-me porque não sei encontrar a Tua verdade...
Sei que fui eu a olhar-Te... lembrei-me de Ti no desespero e pensei que Tu é que me irias salvar de mim...
Enganei-me só mais outra vez...
Mais uma vez sem exemplo, prometo eu antes de me ir deitar sozinha.
Só por esta noite durmo sem lágrimas...