Sunday, April 3

no more...

Que o largasse, que isto assim não podia ser. Não podia.
E sempre as suas mãos por todo lado.
E ele sempre com a mesma atitude reticente, repetente.
A boca que murmura uma coisa e os olhos e o corpo que clamam por outra.
Que não podia ser. Que tinha a mulher, os filhos pequeninos, o cão, a hipoteca da casa.
Que não podia ser.
Mas era sempre.
Fora sempre assim desde que se conheceram e seria sempre assim até ela dizer basta.
Ambos o sabiam bem.
Mas ainda assim, ou talvez por isso, tinham-se quando não podiam, onde não queriam.
Em todo lado, sempre.
E ele sempre que o largasse, que isto não podia ser.
Mas não havia outra forma menos fugaz, menos dolosa para existirem.
Nem mais veemente, mais imponderada, mais insistente.
E nunca podia ser.
Nunca podia.