Se deixasse os dedos fugir pelas letras saberias de mim o que oculto.
Se permitisse ao meu ânimo falar dar-te-ia ciência do negra que é a imensa vontade que trago dentro.
Saberias dos desejos que me atormentam a hora de dormir e do apetite que tenho de te fazer acordar.
Nas letras estariam inconfessáveis os pecadilhos nos quais estou imersa e as palavras seriam mostruário do que queria fazer contigo.
É escuro aqui onde me refugio, não chega jamais a claridade.
É pelo melhor assim, nada cresce sem luz e assim talvez tenha sucesso nesta incumbência que me impuseste.
Venho empenhando-me arduamente nestes trabalhos tantálicos.
Aqui dentro, onde se esborniam todos os tons de negro deste breu onde me escondo, labora-se com afinco.
Mas assim, na escuridão, é difícil ver o caminho e, dependendo dos dias, mais se erra do que se acerta.
Ultimamente tenho andado aos tropeções...
Menos mal que aqui no escuro, dependendo dos dias, nem se me vêem as escoriações...