A mim, sensata, ninguém me saberia capaz destes desvarios.
Mas tenho uma imaginação tão prolixa quão perigosa e não raras são as vezes que me deixo levar por ela e o pior é que, quando quero voltar, já é noite, está escuro e não acho o caminho de volta.
Nos últimos tempos tens sido esse caminho pelo qual me deixei ir.
Foi muito fácil esta ideia de chegar a ti.
Meter-me no autocarro e lá ia eu.
Tantos eram os detalhes que eu queria saber do percurso.
Nem bem saberia como começar, as coisas pensadas fazem sempre mais sentido e depois a voz atrapalha tudo, como quando cantamos em silêncio com os headphones no máximo e temos a dicção perfeita, a pronúncia perfeita, o tom perfeito... e depois damo-nos a ouvir aos outros só para descobrir que somos completamente tone-deaf.
Mas adiante...
O embaraço está em que agora nunca te acho.
Nunca te encontro, não me apareces, não te vislumbro, não me surges.
No caminho que és tu, desencontrei-me de ti.
E de nada adianta mudar de autocarro, mudar de linha, mudar de transportadora.
Por mais imaginação que me cresça não mais sei como te achar.
Pior que agora já é noite, está escuro e eu não acho o caminho de volta.